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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Cântico 14

(in Borboleta em Cinza: salmos profanos, Scortecci, São Paulo, 2008)

Encarecimento afetuoso para o anjo custódio e ação de graças.



Sustentaste minha vida com teus beijos; no ardor dos teus lábios consolaste minha boca; e na escuridão mergulhava o entardecer.


2Incendiaste minha alma com o abrasamento do infuso amor, fartando-me com ternuras; e na escuridão mergulhava o entardecer.



3Aqueceste meu coração com o calor febricitante do teu corpo; e nele infundiste o apetite; e na escuridão mergulhava o entardecer.


4Amparaste minha cabeça no colo; e embebedado de amor nos teus braços me sepultei; e na escuridão mergulhava o entardecer.


5Fizeste sair gemidos de minha boca; quando estendeste teu domínio sobre minha alma; e na escuridão mergulhava o entardecer.


6Por ti procuraram os louvores de meus lábios, reduzindo a silêncio os teus queixumes; e na escuridão mergulhava o entardecer.


7Não se fartem os lábios de teus beijos, nem se enfade a alma, ou o teu corpo se aborreça; e na escuridão não mergulhe o entardecer.


2008/2010 © Z.A. Feitosa, todos os direitos reservados

Um comentário:

  1. Eu me sentaria aqui, ao pé do riacho de tua alma de poeta, e ficaria aqui por tempos que nem sei, tempo sem fim, pois é linda demais essa poesia que mora em ti, seu
    moço... é linda demais da conta, é como um quadro vivo, em fogo, ardência, sonho...
    Demais de bela essa tua poesia, poeta...
    "Fizeste sair gemidos de minha boca; quando estendeste teu domínio sobre minha alma; e na escuridão mergulhava o entardecer..." Divino.

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Z.A. Feitosa (www.feitosa.net)