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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Cântico 9




Grito de saudade e lamentações sobre a ausência do anjo.

Eu te busco; ainda estou sob os teus solenes votos; observo da sacada, o poente sonho viandante, e me devora a gretada solidão; sufoca-me o aroma das recordações.

2Eu te busco; as espirradeiras floridas deitam no escuro da noite um cheiro adocicado; os lábios da saudade soluçam na minha alma; penaliza-me o aroma das recordações.

3Eu te busco; o vento lambe os arbustos do descuidado jardim de áspera luxúria; nos tristes olhos meus dançam as cinzentas sombras; aflige-me o aroma das recordações.

4Eu te busco; não encontrei quem console meu pranto; o abandono fecha sua boca sobre minha alma; a angústia machuca o coração; lacera-me o aroma das recordações.

5Eu te busco; os terrores da noite assaltam meu leito e calafrios abalam o meu corpo; a tristeza engrinalda a alma sedenta de amor; angustia-me o aroma das recordações.

6Eu te busco; a chuva cai sobre os terrenos descampados de retorcidas feições; meu coração ferido pela ausência murmura o teu nome; assola-me o aroma das recordações.

7Eu te busco; as minhas mãos vazias, necessitadas de ti, agitam-se no ar; e meus olhos se enfraquecem privados de tua formosura; devasta-me o aroma das recordações.


(in Borboleta em Cinza: salmos profanos, Scortecci, São Paulo, 2008)

2008/2010 © Z.A. Feitosa, todos os direitos reservados

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Cântico 7

(in Borboleta em Cinza: salmos profanos, Scortecci, São Paulo, 2008)


Na sua aflição, roga ao anjo que se apresse em livrá-lo da saudade


Sinto que esse silêncio anuncia o ocaso do amor, e não consigo calar meu soluço, tendo na alma cada dia essa tristeza.


2Minha alma, que suspira por ti, recusa o abandono; abriguei-me à sombra do teu amor; e não há a quem deseje além de ti.


3Minha mão estendida não alcança tua ternura; por isso de noite lembro-me dos teus carinhos; em ti se refugiou meu amor.


4Meu corpo estremece, se nos lábios tomo teu nome; causa desse padecimento é tua ausência, que faz murchar meu coração.


5Meus ouvidos necessitam da brandura das tuas palavras para abrandar os anseios do corpo, que padece longe das carícias.


6Meus olhos esperam em ti, que enches de alegria meu coração; tu és aquele em quem está o desejo que em mim se precipita.


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sábado, 30 de janeiro de 2010

Entrevista a Z.A. Feitosa (por Ángel Brichs)


"Iniciamos nuestro nuevo recorrido de entrevistas en la sección ODISE@S de LITERATURA DEL MAÑANA con un hombre muy particular, Z.A. Feitosa, seudónimo que responde al nombre del célebre poeta y narrador brasileño Zeilton Alves Feitosa, nacido el 1952 en Marizópolis, Brasil. Después de una serie de conversaciones con él, ha decidido aceptar nuestra invitación y entrar a formar parte de una serie de personajes singulares que, igual como él, irán circulando por las e-pages de este blog para iluminarnos con sus conocimientos y vivencias personales." Leer más en